Exercícios

Gil Vicente

Questões:


1. Em relação à obra de  Gil Vicente, é verdadeira a informação
a) no início de sua intensa atividade literária, não recebeu influência de nenhum dos seus contemporâneos, mas foi, ao contrário, grande influência no teatro do espanhol Juan del Encina;
b) tem uma linguagem revolucionária e atrevida, pois suas críticas, que nada poupam, denunciam as mazelas praticadas pelo rei e pelo comando da igreja católica, maior alvo de sua ira moralizadora;
c) produziu inúmeros autos, todos fielmente registrados por seu filho Luís Vicente na obra Copilaçam de Todalas Obras de Gil Vicente, trovador e ourives.
d) Sua obra situa-se entre o medievalismo e a era moderna: em muitos dos seus autos defende concepções e valores de vida tipicamente medievais, mas assume posições críticas, uma postura que o distancia do medievo.
d) suas personagens são sempre caricaturais, personagens-tipo da sociedade portuguesa utilizados para dar vida aos vícios a que pretende dar combate.

 Resposta: C


2. Sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, assinale a alternativa correta:

A) Cristão, Gil Vicente tem como objetivo alcançar a consciência do homem, lembrando-lhe que tem uma alma para salvar.
B) As figuras do Anjo e do Diabo, apesar de alegóricas, não estabelecem a divisão maniqueísta do mundo entre o Bem e o Mal.
C) As personagens comparecem nesta peça de Gil Vicente portando os objetos que simbolizam os pecados que cometeram na vida terrena, porém o Onzeneiro e o Parvo não carregam os instrumentos de sua culpa.
D) Gil Vicente traça um quadro crítico da sociedade portuguesa da época, porém poupa, por questões ideológicas e políticas, os religiosos e os nobres.
E) Entre as características próprias da dramaturgia de Gil Vicente, destaca-se o fato de ele seguir rigorosamente as normas do teatro clássico.

Resposta: A
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Fuvest 2010-09-09

Considere a seguinte relação de obras: Auto da barca do inferno, Memórias de um sargento de milícias, Dom Casmurro e Capitães da areia. Entre elas, indique as duas que, de modo mais visível, apresentam intenção de doutrinar, ou seja, o propósito de transmitir princípios e diretivas que integram doutrinas determinadas.
Divida sua resposta em duas partes: a), para a primeira obra escolhida e b), para a segunda obra escolhida, conforme já vem indicado na respectiva página de respostas. Justifique sucintamente cada uma de suas escolhas.

resposta
Integrando a doutrina católica, o ideário de Auto da Barca do Inferno tem a nítida intenção de transmitir princípios e de apontar para os caminhos salvacionistas;
Capitães da Areia, por seu turno, aponta para um dia futuro em que as desigualdades e injustiças deixarão de existir, integrando o corpo doutrinário marxista.


1. (FUVEST) Indique a afirmação correta sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:

(A) É intricada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com a inesperado de cada situação.
(B) O moralismo vicentino localiza os vícios, não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas.
(C) É complexa a critica aos costumes da época, já que o autor primeiro a relativizar a distinção entre Bem e o Mal.
(D) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares mais ridicularizadas e as mais severamente punidas.
(E) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo.


2. 02.(FUVEST) Diabo, Companheiro do Diabo, Anjo, Fidalgo, Onzeneiro, Parvo, Sapateiro, Frade, Florença, Brígida Vaz, Judeu, Corregedor, Procurador, Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.

Analise as informações abaixo e selecione a alternativa incorreta cujas características não descrevam adequadamente a personagem.

(A) O Onzeneiro idolatra o dinheiro, é agiota e usurário; de tudo que juntara, nada leva para a morte, ou melhor, leva a bolsa vazia.
(B) O Frade representa o clero decadente e é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte; leva a amante e as armas de esgrima.
(C) O Diabo, capitão da barca do inferno, é quem apressa o embarque dos condenados; é dissimulado e irônico.
(D) O Anjo, capitão da barca do céu, é quem elogia a morte pela fé; é austero e inflexível.
(E) O Corregedor representa a justiça e luta pela aplicação integra e exata das leis; leva papéis e processos.


3. (UNICAMP) Leia o diálogo abaixo, de Auto da Barca do Inferno:


DIABO
Cavaleiros, vós passais
e não perguntais onde ir?


CAVALEIRO
Vós, Satanás, presumis?
Atentai com quem falais!


OUTRO CAVALEIRO
Vós que nos demandais?
Siquer conhecê-nos bem.
Morremos nas partes d’além,
e não queirais saber mais.

(Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno, em Antologia do Teatro de Gil Vicente. Org. Cleonice Berardinelli, Rio de Janeiro: Nova Fronteira/ Brasília: INL, 1984, p.89.)

A) Por que o cavaleiro chama a atenção do Diabo?
B) Onde e como morreram os dois Cavaleiros?
C) Por que os dois passam pelo Diabo sem se dirigir a ele?

RESPOSTAS:

A) Porque a fala do Diabo revela seu desrespeito para com um Cavaleiro de Cristo, que morre para defender e propagar a fé cristã. Quem defende a causa cristã não vai na Barca do Inferno.
B) Os dois Cavaleiros morreram nas "partes d’além", em um combate contra os mouros na defesa da Igreja.
C) Porque estão conscientes da salvação e de que vão na Barca da Glória.


Fuvest 1993
I. Autor que levava no palco a sociedade portuguesa da primeira metade do século XVI, vivenciando, na expressão de Antônio José Saraiva, o reflexo da crise.
II. Atuou na linha do teatro de costumes, associou o burlesco e o cômico em dramas e comédias ao retratar flagrantes da vida brasileira, do campo à cidade.

Os enunciados referem-se, respectivamente, aos teatrólogos:
a) Camilo Castelo Branco e José de Alencar.
b) Machado de Assis e Miguel Torga.
c) Gil Vicente e Nélson Rodrigues.
d) Gil Vicente e Martins Pena.
e) Camilo Castelo Branco e Nélson Rodrigues.

Ufrs 2006
A cena do embarque do frade Babriel é uma das mais importantes do "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente.
Numere as seguintes ações de Babriel de acordo com a ordem em que elas ocorrem na referida cena.

(     ) O frade utiliza-se do hábito na tentativa de alcançar a salvação.
(     ) O frade, ao se encontrar com o Diabo, está acompanhado de Florença.
(     ) O frade dirige-se à Barca da Glória.
(     ) O frade é recebido pelo parvo Joane.
(     ) O frade, acompanhado da mulher, acolhe a sentença.

A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) 2 - 1 - 4 - 3 - 5.
b) 3 - 4 - 2 - 5 - 1.
c) 2 - 1 - 3 - 4 - 5.
d) 5 - 3 - 2 - 1 - 4.
e) 5 - 2 - 3 - 4 - 1.

Ufrs 2004
Considere as seguintes afirmações, relacionadas ao episódio do embarque do fidalgo, da obra "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente.

I - A acusação de tirania e presunção dirigida ao fidalgo configura uma crítica não ao indivíduo, mas à classe a que ele pertence.
II - Gil Vicente critica as desigualdades sociais ao apontar o desprezo do fidalgo aos pequenos, aos desfavorecidos.
III - No momento em que o fidalgo pensa ser salvo por haver deixado, em terra, alguém orando por ele, evidencia-se a crítica vicentina à fé religiosa.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Ufrs 2000
Em relação ao "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente, considere as seguintes afirmações.

I - Trata-se de um grande painel que satiriza a sociedade portuguesa de seu tempo.
II - Representa a transição da Idade Média para o Renascimento, guardando traços dos dois períodos.
III - Sugere que o Diabo, ao julgar justos e pecadores, tem poderes maiores que Deus.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

DOM CASMURRO

Questões:


1.(UEL) O texto abaixo é o último capítulo do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é esse propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1: "Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti". Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca. E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A Terra lhes seja leve! Vamos à História dos subúrbios.

Pela leitura do texto, é correto afirmar que, depois de contar a história da sua vida e do seu amor por Capitu, Bentinho, o narrador:

(A) Conclui que Capitu não o traiu.
(B) Buscando conforto na Bíblia, chega à conclusão de que, apesar de Capitu o ter traído, ele deveria perdoar-lhe e não sentir ciúmes dela.
(C) Não tem certeza de que Capitu o traiu, embora acredite que ela tenha se transformado muito desde a adolescência, aparecendo quando adulta como uma cigana traiçoeira e dissimulada.
(D) Chega à conclusão de que Capitu já possuía, quando menina, os traços psicológicos que a caracterizariam na fase adulta.
(E) Constata que Capitu e seu amigo José Dias mantinham um romance desde a adolescência.
2. (UEL) As questões de 2 a 4 referem-se ao trecho do capítulo de Dom Casmurro (1900), de Machado de Assis (1839-1908.)

OLHOS DE RESSACA

Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto, nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.
Fonte: ASSIS, J. Maria Machado de. Obra Completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 927.

Com base no texto e seus conhecimentos sobre a obra, assinale a resposta correta nas questões de 2 a 4.

A narração do momento em que Capitu fixa o olhar no cadáver de Escobar efetiva-se:

A) Muitos anos após a morte de Escobar, tendo por objetivo mostrar ao leitor a percepção do narrador da dissimulação de sua esposa, Capitu.
B) Logo após o enterro de Escobar, mostrando-se o narrador solidário com a dor da viúva, Sancha, personagem caracterizada pela dissimulação.
C) Através das palavras de Bento Santiago, melhor amigo de Escobar, tendo por objetivo registrar a dor dos amigos no momento do enterro.
D) Logo após o enterro de Escobar, tendo por objetivo registrar o forte vínculo que unia sua família à do negociante e ex-seminarista.
E) Muitos anos após o enterro de Escobar, tendo por objetivo ressaltar o transtorno ocasionado pela imprudência do ex-seminarista.

3. De acordo com o texto, é correto afirmar:

A) Diante do trecho acima transcrito, compete ao leitor acreditar ou não nas palavras do narrador uma vez que apenas suas palavras fazem-se presentes.
B) Capitu, embora seja vista apenas pelo narrador, apresenta um comportamento ambíguo, pois não quer que as pessoas notem seu amor por Escobar.
C) O comportamento dissimulado caracteriza Capitu, como deixam claras as palavras do narrador, seu marido, efetivadas logo após o enterro do amigo.
D) Diante das palavras seguras do narrador, ex-seminarista e advogado, resta ao leitor a segurança de que Capitu era uma mulher adúltera.
E) As palavras do ex-seminarista e advogado competente são a garantia da veracidade da cena descrita na qual Capitu fixa apaixonadamente o cadáver do amigo.


4. A denominação do capítulo, “Olhos de ressaca”, é resultante da leitura que o narrador faz:
A) Do mal-estar de Sancha diante do corpo inerte do marido.
B) Da agressividade incontida do olhar de Bentinho em direção a Capitu.
C) Do desejo detectado no olhar de Capitu de apossar-se de Escobar.
D) Da força e do ímpeto presentes nos olhos de Capitu dirigidos ao marido.
E) Do mal-estar de Capitu provocado pela noite passada em claro.

5. (FUVEST / GV) O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.
É o que diz o narrador no segundo capítulo do romance Dom Casmurro. Afinal por que não teria ele alcançado o seu intento?

(A) Pelas dificuldades inerentes à estrutura do romance, na recuperação de outros tempos.
(B) Pelo receio de confessar suas fraquezas e a traição sofrida.
(C) Porque era impossível recuperar o sentido daquele período, pois ele já não era a mesma pessoa.
(D) Pela falta de bom senso e de clareza na apreensão das lembranças.
(E) Porque o tempo, impiedoso, apaga todos os acontecimentos e transforma as pessoas.

6. (UFL) Todas as alternativas apresentam informações sobre Dom Casmurro, de Machado de Assis, exceto:

(A) A questão do adultério, tratada de forma ambígua pelo autor, permanece em aberto no fim da narrativa.
(B) O narrador, através do exercício da memória, busca ligar o presente ao passado, a velhice à adolescência.
(C) O narrador protagonista, ao assumir a primeira pessoa, apresenta uma visão tendenciosa dos acontecimentos.
(D) O autor, introduzindo-se na narrativa, fornece ao leitor informações que contradizem as opiniões do narrador.
(E) A narrativa, marcada pela ironia, mantém uma relação intersexual com a tragédia Otelo, de Shakespeare.

7. (UFU-MG) Considere a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as afirmativas que se seguem:

I. Da Glória tentava impedir o casamento de Bentinho com Capitu, pois desejava que ele se unisse a Sancha.
II. Bento Santiago não teve problemas em homenagear o amigo Escobar, por ocasião de seu enterro, pois era seu melhor amigo.
III. A cena descrita no velório de Escobar (homens e mulheres chorando) é uma característica do Romantismo presente em todo o Dom Casmurro — obra que tem como tema os infelizes amores de Bentinho e Capitu.
IV. “Olhos de ressaca” — referência dada a Capitu — evidencia o seu poder de envolvimento e o grande fascínio que ela exerce sobre Bentinho, tal qual as vagas do mar.
V. Apesar da suspeita de adultério, o amor consegue superar a desconfiança fazendo com que Bentinho se reconcilie com a família de Capitu.

Assinale:

(A) Se apenas IV é correta. 
(B) Se apenas I, II são corretas.
(C) Se apenas III e V são corretas.
(D) Se apenas V é correta.
(E) Nenhuma delas é correta.

8. (PUCCAMP-SP) O trecho abaixo é parte do último capítulo de Dom Casmurro, de Machado de Assis:

O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. I: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.

Invocando aqui a memória e o testemunho do leitor de sua história, o narrador arremata a narrativa:

(A) lembrando que os ciúmes de Bentinho por Capitu poderiam perfeitamente ser injustificáveis.
(B) concluindo que a única explicação para a traição de Capitu é a força caprichosa de circunstâncias acidentais.
(C) citando uma passagem da Bíblia, à luz da qual acaba admitindo a possibilidade da inocência de Capitu.
(D) pretendendo que a personalidade de Capitu tenha se desenvolvido de modo a cumprir uma natural inclinação.
(E) se mostra reticente quanto à convicção de que fora traído, sugerindo que continuará ponderando os fatos.

9. (PUC-PR) Com base na leitura de Dom Casmurro, e considerando a importância de Machado de Assis para a literatura brasileira, identifique as alternativas como VERDADEIRAS ou FALSAS:

(    ) Escrito quando o Realismo era a estética dominante, Dom Casmurro é antes um “romance filosófico” que um “romance social”.
(    ) Ao contrário de diversas heroínas românticas, punidas com a morte por comportamentos inadequados para os padrões de sua época, a principal personagem feminina de Dom Casmurro não morre no final da narrativa.
(    ) Ainda que acreditasse não ser pai de Ezequiel, Bento Santiago não deixou que isso interferisse na relação pai-filho, e sempre quis ter o rapaz muito perto de si.
(    ) Assim como em Esaú e Jacó, a presença do Imperador e as referências à vida política brasileira são constantes em Dom Casmurro e interferem nos acontecimentos narrados.

A seqüência correta é:
(A) V, F, F, F
(B) F, F, F, V
(C) F, V, F, V
(D) V, V, V, F
(E) F, V, F, F


O CORTIÇO


(PUCRS 2007)

Para responder à questão, leia o fragmento do romance "O cortiço", de Aluísio Azevedo e as afirmativas que seguem.
E maldizia soluçando a hora em que saíra da sua terra; essa boa terra ¢cansada, velha como que £enferma; essa boa terra tranqüila, sem sobressaltos nem desvarios de juventude. Sim, lá os campos eram ¤frios e melancólicos, de um verde alourado e quieto, e não ardentes e esmeraldinos e afogados em tanto sol e em tanto perfume como o deste inferno, onde em cada folha que se pisa há debaixo um réptil venenoso, como em cada flor que desabotoa e em cada moscardo que adeja há um vírus de lascívia. Lá, nos saudosos campos da sua terra, não se ouvia em noites de lua clara roncar a onça e o maracajá, nem pela manhã ao romper do dia, rilhava o bando truculento das queixadas, lá não varava pelas florestas a anta feia e terrível, quebrando árvores; lá a sucuruju não chocalhava a sua campainha fúnebre, anunciando a morte, nem a coral esperava traidora o viajante descuidado para lhe dar o bote certeiro e decisivo; ¥lá o seu homem não seria anavalhado pelo ciúme de um capoeira; ¦lá Jerônimo seria ainda o mesmo esposo casto, silencioso e meigo; seria o mesmo lavrador triste e contemplativo como o gado que à tarde levanta para o céu de opala o seu olhar humilde, compungido e bíblico.
 I. A diferença entre a velha e a nova terra é marcada pela força da natureza que transforma a vida e o comportamento do homem.
II. Expressões como "cansada", "enferma", "frios e melancólicos", nas referências 1, 2 e 3 respectivamente, assumem uma conotação positiva para a mulher de Jerônimo, ao definirem o espaço da felicidade perdida na velha terra.
III. As ações dos animais, pintadas com os tons fortes do Naturalismo, narram os perigos que Jerônimo e sua mulher vivem na selva.
IV. A expressão "lá", nas referências 4 e 5, indica o espaço das virtudes do marido, da paz doméstica e de uma vida simples e tranqüila.
Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas apenas
a) I e III.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

(UNIFESP 2007)
Para responder às questões, leia o trecho de "O cortiço", de Aluísio Azevedo.

"Jerônimo bebeu um bom trago de parati, mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita.
- Vem pra cá... disse, um pouco rouco.
- Espera! espera! O café está quase pronto!
E ela só foi ter com ele, levando-lhe a chávena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores (...)
Depois, atirou fora a saia e, só de camisa, lançou-se contra o seu amado, num frenesi de desejo doído.
Jerônimo, ao senti-la inteira nos seus braços; ao sentir na sua pele a carne quente daquela brasileira; ao sentir inundar-se o rosto e as espáduas, num eflúvio de baunilha e cumaru, a onda negra e fria da cabeleira da mulata; ao sentir esmagarem-se no seu largo e peludo colo de cavouqueiro os dois globos túmidos e macios, e nas suas coxas as coxas dela; sua alma derreteu-se, fervendo e borbulhando como um metal ao fogo, e saiu-lhe pela boca, pelos olhos, por todos os poros do corpo, escandescente, em brasa, queimando-lhe as próprias carnes e arrancando-lhe gemidos surdos, soluços irreprimíveis, que lhe sacudiam os membros, fibra por fibra, numa agonia extrema, sobrenatural, uma agonia de anjos violentados por diabos, entre a vermelhidão cruenta das labaredas do inferno."


"O cortiço", obra naturalista,
a) traduziu a sensualidade humana na ótica do objetivismo científico, o que se alinha à grande preocupação espiritual.
b) fez análises muito subjetivas da realidade, pouco alinhadas ao cientificismo predominante na época.
c) explorou as mazelas humanas de forma a incitar a busca por valores éticos e morais.
d) não pôde ser considerado um romance engajado, pois deixou de lado a análise da realidade.
e) tratou de temas de patologia social, pouco explorados nas escolas literárias que o precederam.

A atração inicial entre Rita e Jerônimo não acontece na cena descrita. Segundo o texto, pode-se inferir que ela se relaciona com
a) uma dose de parati.
b) a cama de Rita.
c) uma xícara de café.
d) o perfume de Rita.
e) o olhar de Rita.

O enlace amoroso, seja na perspectiva de Rita, seja na de Jerônimo,
a) é sublimado, o que lhe confere caráter grotesco na obra.
b) é desejado com intensidade e lhes aguça os ânimos.
c) reproduz certo incômodo pelo tom de ritual que impõe.
d) representa-lhes o pecado e a degradação como pessoa.
e) é de sensualidade suave, pela não explicitação do ato.

Pode-se afirmar que o enlace amoroso entre Jerônimo e Rita, próprio à visão naturalista, consiste
a) na condenação do sexo e conseqüente reafirmação dos preceitos morais.
b) na apresentação dos instintos contidos, sem exploração da plena sexualidade.
c) na apresentação do amor idealizado e revestido de certo erotismo.
d) na descrição do ser humano sob a ótica do erótico e animalesco.
e) na concepção de sexo como prática humana nobre e sublime.

(UFRJ 2006)
O DESPERTAR DO CORTIÇO

" Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente, uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas das mãos. As portas das latrinas não descansavam..."
            (AZEVEDO, Aluísio de. "O Cortiço", São Paulo: Martins, 1968, p. 43.)

São características desse texto, consideradas típicas do naturalismo, entre outras,
a) o idealismo, o comportamento determinista.
b) a ênfase no aspecto material da vida, o comportamento sofisticado.
c) as comparações dos seres humanos com animais, a promiscuidade.
d) a representação objetiva da vida, o endeusamento do ser humano.
e) a fuga à realidade, o positivismo exacerbado.

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